O senador foi internado após
apresentar um episódio de pressão baixa ao chegar no Congresso Nacional, na
manhã desta quinta. O parlamentar ia participar da sessão que derrubou o veto
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PL) ao PL da Dosimetria.
"A vítima levou o
agressor até a sala de exame, realizou a monitorização e fez o teste com o soro
para o acesso. Segundo a vítima, após o início do exame, informou que iriam
iniciar a injeção de contraste, momento em que a bomba identificou que havia
uma oclusão e pressão, interrompendo o procedimento. Por esse motivo, a vítima
entrou na sala onde estava o agressor para verificar o ocorrido e constatou que
o contraste havia extravasado no braço dele", disse a vítima aos
policiais.
Ainda segundo o boletim de
ocorrência, a vítima informou ao senador que precisaria fazer uma compressão em
seu braço, momento em que ele se levantou e, "quando a vítima se aproximou
para ajudá-lo, ele desferiu um tapa forte no rosto da vítima, chegando a
entortar seus óculos".
Segundo o depoimento, o
parlamentar teria ainda xingado a técnica de enfermagem de "imunda" e
"incompetente".
"A vítima informa que
saiu da sala imediatamente e chamou a enfermeira e o médico, atendimento este
que foi recusado pelo agressor".
Outro lado
Em nota, o senador afirmou
que houve “falha técnica” da profissional de radiologia. Malta disse ter
alertado que, no seu entendimento, o procedimento estava incorreto e que sentia
fortes dores. Mais tarde, o senador voltou a se manifestar e negou a agressão.
“Diante da situação e da
forma como foi tratado, o senador deixou sozinho a sala de exames (estava
desacompanhado nesse momento)”, afirmou.
O parlamentar disse que o
episódio foi relatado à direção do hospital e à equipe médica e disse que a
técnica tenta dar sua própria versão dos fatos.
“Causa estranheza que a
profissional envolvida tenha buscado registrar versão própria dos fatos, em
evidente atitude defensiva diante da possibilidade de responsabilização pelo
grave ocorrido”.
Em nota mais detalhada, por
meio de sua assessoria jurídica, o senador repudiou “com veemência” a narrativa
divulgada e afirmou que houve “grave distorção dos fatos”. Segundo a defesa,
Malta está internado há dois dias no Hospital DF Star após um mal súbito, com
investigação de causas neurológicas e cardiovasculares, incluindo suspeita de
Acidente Isquêmico Transitório (AIT), além de histórico de câncer com
comprometimento da medula óssea, o que afetaria sua resistência e tolerância à
dor.
A assessoria afirma que,
durante exame de angiotomografia, o contraste teria sido administrado de forma
incorreta, causando extravasamento no braço direito do senador, com trombose e
hematoma considerados de “elevada gravidade clínica”. Segundo a nota, Malta
estaria sob forte medicação, com cognição afetada e em dor intensa, e teria
reagido ao sofrimento físico “e não à pessoa da técnica”, negando qualquer
agressão física ou verbal.
A defesa também classifica a
versão apresentada pela profissional como “narrativa forjada”, com o objetivo
de se proteger de um suposto erro técnico. Afirma ainda que as lesões no braço
seriam provas da falha no procedimento.
Os advogados dizem que
analisam medidas judiciais, como ação por danos morais, notícia-crime por falsa
comunicação de crime e representação no Conselho Regional de Enfermagem
(Coren-DF), além de possível responsabilização do hospital.
Em nota, o hospital afirma
que abriu uma apuração administrativa sobre o fato ocorrido e que "vem
dando todo o suporte à colaboradora que relatou ter sido vítima de
agressão".
"A unidade também
reitera que está à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários
às autoridades envolvidas na investigação do episódio", diz a nota.
O Conselho Regional de
Enfermagem do Distrito Federal repudiou o caso e disse que está acompanhando o
caso e se coloca à disposição da profissional envolvida para oferecer o suporte
necessário.
"A atuação desses
profissionais não pode ser marcada por episódios de violência. Nenhuma posição
ou condição autoriza agressões, e toda conduta dessa natureza deve ser tratada
com o rigor da lei", diz a nota.
"O Conselho também
orienta que situações de violência sejam formalmente registradas, para que as
medidas cabíveis sejam adotadas pelos órgãos competentes".
Malta registrou ocorrência na
Polícia
O senador registrou, neste
sábado (2), ocorrência na Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). No
documento, ele nega a agressão, afirma ter sido vítima de uma intercorrência
médica e pede a apuração completa do caso.
O senador afirma que sua
reação foi "compatível com o quadro de dor e com o uso de medicação",
negando qualquer agressão.