Jucuruçu e o êxodo dos seus filhos: entre sonhos,
frustrações e resistência.
Agora a pouco, em
uma conversa sincera, refletíamos sobre uma realidade que há tempos inquieta o
coração de muitos jucuruçuenses: saímos da nossa terra em busca de estudo,
oportunidades e crescimento, mas a grande maioria não deseja — ou não consegue
— voltar.
É um fenômeno
silencioso, porém profundo. Jovens deixam Jucuruçu com esperança de um futuro
melhor, constroem carreiras em outras cidades, mas, ao pensarem em retornar,
encontram barreiras, desânimo e, em alguns casos, rejeição.
Os poucos que
desejam voltar e fazer algo além da própria profissão — empreender, inovar,
contribuir com o desenvolvimento local — muitas vezes enfrentam boicotes,
resistência política, falta de apoio institucional e até desconfiança da
própria comunidade.
O sentimento é
de frustração. Quem tenta transformar a realidade local acaba sendo visto como
ameaça, concorrência ou incômodo, em vez de ser reconhecido como agente de
progresso.
Essa dor não é
apenas coletiva, é pessoal. Sinto a dor dele, pois passei por isso no ano
passado. A tentativa de contribuir, de plantar algo novo em nossa própria
terra, pode se tornar um caminho solitário e desgastante.
Jucuruçu perde
talentos, perde ideias, perde força produtiva. E o mais triste: perde a chance
de crescer com seus próprios filhos.
Enquanto isso,
muitos que permanecem aqui continuam enfrentando dificuldades diárias: falta de
oportunidades, carência de investimentos, descaso do poder público e a sensação
constante de abandono.
A pergunta que
ecoa é: por que nossa cidade não cria condições para acolher de volta quem quer
ajudar a transformá-la?
Valorizar os
filhos da terra, incentivar o retorno dos profissionais formados e apoiar
iniciativas locais não é favor — é estratégia de desenvolvimento.
Jucuruçu
precisa romper o ciclo da exclusão, do boicote e da desunião. Precisa
transformar dor em força, crítica em ação e saudade em oportunidade.
Porque uma
cidade só cresce de verdade quando aprende a cuidar de quem nasceu nela — e de
quem deseja voltar para fazê-la crescer.
Por/Jucurunet
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