A música popular brasileira perdeu no sábado,
14 de fevereiro de 2026, um de seus personagens mais autênticos. Faleceu aos 92
anos, no Hospital Municipal de Brumado (BA), o cantor e compositor Osvaldo
Feitosa Bezerra, conhecido nacionalmente como “Rei do Brega” ou “Cidadão do
Brega”.
Natural de Limoeiro do Norte, no Ceará,
nascido em 5 de setembro de 1933, Osvaldo construiu uma trajetória que se
confunde com a própria consolidação do brega romântico no Brasil. Ainda jovem,
serviu à Marinha do Brasil entre 1950 e 1962, período em que viveu no Rio de
Janeiro e teve contato com a efervescência cultural da chamada Era de Ouro do
rádio.
Na então capital federal, participou de
programas de calouros da histórica Rádio Tupi,
onde dividiu espaço com nomes que se tornariam lendas da música nacional, como Ângela Maria e Ary
Barroso. A experiência marcou o início de uma carreira que ganharia
força anos depois.
Após deixar a Marinha e enfrentar perdas pessoais,
Osvaldo encontrou no Norte do país o terreno fértil para consolidar sua
identidade artística. Em Belém do Pará, tornou-se presença constante em bares e
casas noturnas, assumindo definitivamente o título de “Rei do Brega”, que
defendia com orgulho.
Seu primeiro grande marco fonográfico foi o
álbum “O Rei do Brega”, lançado em 1981. Ao longo dos anos 80 e 90, lançou
diversos discos e consolidou uma discografia extensa, com centenas de
composições que circularam intensamente nas rádios do Norte e Nordeste.
Entre os maiores sucessos estão “Cidadão no
Brega”, “Cachaça Amiga”, “Sou Caminhoneiro”, “Não Brinca Comigo”, “Coração
Indeciso”, “Volta Meu Amor” e “Mulher de Qualquer Um”. Também reivindicava
coautoria de “Dama de Vermelho”, eternizada na voz de Waldick Soriano.
Defensor do chamado “brega raiz”, Osvaldo
criticava vertentes mais recentes do gênero, como o arrocha, por considerar que
se distanciavam da essência romântica e popular que ele valorizava. Para o
artista, a música deveria ser feita para dançar “coladinho” e servir de consolo
às dores de amor do povo simples.
Em entrevistas, sustentava que o título de
“Rei do Brega” lhe pertencia antes mesmo de ser associado a outros ícones do
gênero, como Reginaldo Rossi. Para ele, a
expressão não era pejorativa, mas um símbolo de autenticidade e identidade
popular.
Além da carreira solo, Osvaldo foi padrinho
artístico de músicos que mais tarde ganhariam projeção nacional. Entre eles, o
guitarrista Aldo Sena e o músico Chimbinha,
que chegou a tocar em sua banda no início da trajetória.
Nos últimos anos, viveu entre Livramento de
Nossa Senhora e Brumado, na Bahia. Mesmo enfrentando dificuldades financeiras e
problemas de saúde, incluindo deficiência visual, mantinha-se como figura
respeitada e símbolo de resistência cultural.
O velório foi realizado em Livramento de
Nossa Senhora, onde também ocorreu o sepultamento. Ele deixa seis netos e uma
legião de admiradores que viam em sua voz a tradução das próprias dores e
paixões.
Com sua partida, encerra-se um capítulo importante da história da seresta e do bregão nordestino. Fica o legado de um artista que ajudou a escrever, à sua maneira, a trilha sonora sentimental de um Brasil profundo — aquele que ama, sofre e canta sem medo de ser chamado de brega.
Por/Jucurunet

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