Teixeira de Freitas: Uma falha grave nos procedimentos internos do Hospital Estadual Costa das Baleias (HECB), em Teixeira de Freitas, transformou o luto de duas famílias em uma experiência de profundo constrangimento e indignação. O episódio, ocorrido no último domingo (26), resultou na liberação e no velório de um corpo errado no município de Alcobaça, enquanto parentes de Itanhém aguardavam por horas, sem informações, a liberação de seu ente querido.
Inicialmente, informações preliminares divulgadas por familiares indicaram que a troca teria envolvido os corpos de um homem e de uma mulher, versão que chegou a ser publicada pelo site Liberdade News. Contudo, a apuração posterior confirmou que as duas vítimas fatais eram homens, corrigindo o dado que circulou nas primeiras horas após o incidente. Ambos faleceram na unidade de saúde e passaram pelo processo formal de reconhecimento por familiares antes da liberação.
A confusão, segundo a direção do hospital, teve início durante a troca de turno dos maqueiros. O profissional que estava encerrando o expediente não comunicou adequadamente as informações ao colega que assumia o plantão, o que levou à inversão na entrega dos corpos. Quando uma funerária contratada pela família de Alcobaça chegou para buscar o corpo, recebeu o do paciente de Itanhém, realizando normalmente todos os procedimentos de preparação e o translado para a residência, onde o velório seria realizado. A troca trágica só foi descoberta no momento em que os familiares abriram o caixão.
Enquanto isso, a equipe da funerária de Itanhém enfrentava longa espera e evasivas no hospital. A administração do Costa das Baleias afirmou inicialmente não haver nenhum corpo com o nome indicado no necrotério, até que a situação real fosse esclarecida. A descoberta do erro obrigou a família de Alcobaça a refazer todo o trajeto burocrático e logístico, e a de Itanhém a adiar o velório já programado. Procurada, a direção do HECB se comprometeu a arcar com todos os custos gerados pelo equívoco.
O relato de um irmão em espera e desamparo
O irmão de um dos falecidos narrou a angústia de ter sido enviado a Teixeira de Freitas para assinar a liberação e, ao chegar, ser informado de que o corpo de seu irmão não estava no local, mesmo portando toda a documentação. Após essa comunicação, a equipe do hospital simplesmente se retirou para "verificar a situação" e não voltou a dar qualquer retorno. "A gente ficou marcando passo de duas horas até as seis horas no hospital, passando totalmente desconforto, sem sequer um atendimento, ninguém vinha até a gente para falar nada, a gente ficou totalmente jogado à toa", relatou.
Ele contou que a descoberta do erro só ocorreu quando a funerária local, que já havia transportado o corpo do seu irmão por engano para Alcobaça, entrou em contato. A todo o momento, o familiar defendeu a atuação das funerárias, atribuindo a responsabilidade exclusivamente ao hospital, que falhou no momento fundamental da entrega. "A partir do momento que as pessoas reconheçam o corpo, é direito de a pessoa que está ali liberando o corpo estar presente, para que possa mostrar o corpo certo, e não o corpo errado para levar para outra residência, como aconteceu com o meu irmão. Foi muito triste, muito triste mesmo", desabafou, pedindo providências.
Na segunda-feira (27), os agentes funerários envolvidos prestaram depoimento nas delegacias de Teixeira de Freitas e Itanhém. O caso segue em investigação./Liberdadenews
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