Procurar um hospital, para qualquer pessoa, é um ato carregado de sentimentos profundos. Medo, ansiedade, esperança e confiança se misturam no instante em que alguém atravessa a porta de uma unidade de saúde. Espera-se acolhimento, competência técnica, responsabilidade e, acima de tudo, a certeza de que a vida estará em boas mãos.
Em Jucuruçu, essa confiança havia sido lentamente reconstruída. Durante muitos anos, a população preferia buscar atendimento diretamente em cidades vizinhas, desconfiando da estrutura e da qualidade da assistência local.
Com investimentos e reorganização do serviço, o hospital do município passou a ser novamente procurado, e a sensação de segurança começou a se restabelecer. No entanto, essa credibilidade vem se esvaindo — e, para muitos, praticamente se perdeu — a partir de 2025.
O principal motivo apontado por usuários e profissionais é a contratação de médicos sem experiência, recém-formados, sem vivência prática suficiente e, sobretudo, sem vínculo ou conhecimento da realidade da população local. Saúde não se faz apenas com presença física, mas com preparo, maturidade clínica e compromisso. Fica aqui um recado direto ao prefeito Lili: não basta ter médico 24 horas.
É preciso ter excelentes médicos 24 horas — profissionais capacitados, com habilidade já comprovada, que saibam decidir sob pressão, ouvir o paciente e agir com segurança. Plantão não é espaço para improviso.
A população tem assistido, abismada, às atitudes do prefeito e do secretário municipal de Saúde, percebendo uma condução que parece ignorar alertas que vêm de todo o país. Precisamos aprender com os erros dos outros antes que seja tarde demais.
Um exemplo doloroso foi o caso do menino Benício, ocorrido em Manaus, que ganhou repercussão nacional. A criança morreu após falhas graves na assistência em ambiente hospitalar, levantando questionamentos sobre preparo técnico, protocolos e responsabilidade profissional. O episódio gerou comoção, investigações e um alerta claro: vidas se perdem quando a saúde é tratada com descuido.
Mais recentemente, o Brasil se chocou com o caso do trio de técnicos em enfermagem acusados de assassinatos, revelado por meio de vídeos e prints que circularam amplamente nas redes sociais e na imprensa.
Situações extremas como essas
mostram que falhas na seleção, fiscalização e supervisão de profissionais podem
ter consequências irreversíveis.
Em Jucuruçu, preservando o
anonimato das fontes, já chegou à nossa redação o relato de que houve
contratação de técnica em enfermagem com conhecimento extremamente limitado, a
ponto de o restante da equipe precisar vigiar constantemente seus atos para
evitar erros graves. Esse tipo de situação não pode ser tratado como normal ou
aceitável dentro de um hospital.
O resultado é previsível e preocupante: a população está cada vez mais receosa de buscar atendimento médico.
Muitos relatam não sentir confiança na maioria dos médicos contratados atualmente, temendo diagnósticos equivocados, condutas inseguras e falta de responsabilidade. Hospital não é lugar de aprendizado básico, nem de testes.
É lugar de cuidado, técnica, ética e respeito à vida. Ignorar isso é brincar com o bem mais precioso que existe: a vida das pessoas de Jucuruçu.

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