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sábado, 14 de fevereiro de 2026

Cantor Osvaldo Bezerra falece na Bahia e deixa legado no romantismo popular

 


A música popular brasileira perdeu neste sábado (14) um de seus nomes mais autênticos. Faleceu, aos 93 anos, o cantor e compositor Osvaldo Feitosa Bezerra, conhecido nacionalmente como o “Rei do Brega”. O artista estava internado no Hospital Municipal de Brumado, onde enfrentava um quadro de saúde delicado nas últimas semanas. Nos últimos dias, o estado clínico se agravou, culminando em seu falecimento.

Natural de Pernambuco, Osvaldo construiu uma trajetória marcada pela persistência, romantismo e forte identificação com o público popular. Entre 1950 e 1962, serviu à Marinha no Rio de Janeiro, período em que conviveu com importantes nomes da música brasileira, como Ary Barroso e Ângela Maria. Durante esse tempo, participou como calouro na Rádio Tupi, onde conquistou o segundo lugar ao gravar um disco.

Após o período militar e a perda da esposa, buscou recomeçar a vida em Belém, onde encontrou espaço para desenvolver plenamente sua carreira artística. Na capital paraense, consolidou-se como referência do chamado “brega raiz”, tornando-se figura lendária e recebendo o título de “Rei do Brega”. Entre seus principais sucessos estão “Cachaça Amiga”, “Cidadão no Brega”, “Coração Indeciso”, “Não Brinca Comigo” e “Sou Caminhoneiro”.

Defensor ferrenho do romantismo tradicional, Osvaldo Bezerra costumava afirmar que o verdadeiro brega era aquele que expressava sentimentos profundos, capaz de consolar corações partidos e embalar casais dançando “coladinho”. O cantor também fazia críticas às variações modernas do gênero, como o arrocha, por considerá-las superficiais em comparação ao estilo que defendia.

Na Bahia, o artista construiu parte significativa de sua história. Morou em Itamaraju, em Livramento de Nossa Senhora e, mais recentemente, em Brumado, conhecida como a “capital do minério”. Nessas cidades, conquistou admiradores com sua simplicidade, carisma e presença constante em eventos culturais.

Em janeiro de 2025, em entrevista ao site Achei Sudoeste e ao Programa Achei Sudoeste no Ar, relembrou o início da carreira: “Cantando sempre de bar em bar. Fui calouro na Rádio Tupi, no Rio de Janeiro, junto com Ângela Maria. Fiquei em segundo lugar quando gravei um disco”, relatou à época.

Em 1977, já em São Paulo, deu novo impulso à carreira, passando a trabalhar com diversas gravadoras e ampliando sua presença no cenário nacional. Ao longo das décadas, percorreu o Brasil realizando shows e mantendo viva a essência do brega romântico.

Além de cantor e compositor, Osvaldo Bezerra atuou como padrinho artístico de talentos como Aldo Sena e Chimbinha, deixando um legado consolidado na música popular brasileira.

O velório será realizado em Livramento de Nossa Senhora. O sepultamento está previsto para as 16h, no Cemitério Jardim da Saudade, no bairro Taquari.

Com sua partida, o Brasil se despede de uma voz que marcou gerações e eternizou o sentimento popular em canções que continuam a ecoar nos corações de seus fãs. 

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