A música popular brasileira perdeu neste sábado (14) um de seus nomes mais autênticos. Faleceu, aos 93 anos, o cantor e compositor Osvaldo Feitosa Bezerra, conhecido nacionalmente como o “Rei do Brega”. O artista estava internado no Hospital Municipal de Brumado, onde enfrentava um quadro de saúde delicado nas últimas semanas. Nos últimos dias, o estado clínico se agravou, culminando em seu falecimento.
Natural de
Pernambuco, Osvaldo construiu uma trajetória marcada pela persistência,
romantismo e forte identificação com o público popular. Entre 1950 e 1962,
serviu à Marinha no Rio de Janeiro,
período em que conviveu com importantes nomes da música brasileira, como Ary Barroso e Ângela
Maria. Durante esse tempo, participou como calouro na Rádio Tupi, onde conquistou o segundo lugar ao
gravar um disco.
Após o período
militar e a perda da esposa, buscou recomeçar a vida em Belém, onde encontrou espaço para desenvolver
plenamente sua carreira artística. Na capital paraense, consolidou-se como
referência do chamado “brega raiz”, tornando-se figura lendária e recebendo o
título de “Rei do Brega”. Entre seus principais sucessos estão “Cachaça Amiga”,
“Cidadão no Brega”, “Coração Indeciso”, “Não Brinca Comigo” e “Sou
Caminhoneiro”.
Defensor
ferrenho do romantismo tradicional, Osvaldo Bezerra costumava afirmar que o
verdadeiro brega era aquele que expressava sentimentos profundos, capaz de
consolar corações partidos e embalar casais dançando “coladinho”. O cantor
também fazia críticas às variações modernas do gênero, como o arrocha, por
considerá-las superficiais em comparação ao estilo que defendia.
Na Bahia, o
artista construiu parte significativa de sua história. Morou em Itamaraju, em Livramento
de Nossa Senhora e, mais recentemente, em Brumado,
conhecida como a “capital do minério”. Nessas cidades, conquistou admiradores
com sua simplicidade, carisma e presença constante em eventos culturais.
Em janeiro de
2025, em entrevista ao site Achei Sudoeste e ao Programa Achei Sudoeste no Ar,
relembrou o início da carreira: “Cantando sempre de bar em bar. Fui calouro na
Rádio Tupi, no Rio de Janeiro, junto com Ângela Maria. Fiquei em segundo lugar
quando gravei um disco”, relatou à época.
Em 1977, já em São Paulo, deu novo impulso à carreira, passando
a trabalhar com diversas gravadoras e ampliando sua presença no cenário
nacional. Ao longo das décadas, percorreu o Brasil realizando shows e mantendo
viva a essência do brega romântico.
Além de cantor
e compositor, Osvaldo Bezerra atuou como padrinho artístico de talentos como
Aldo Sena e Chimbinha, deixando um legado consolidado na música popular
brasileira.
O velório será
realizado em Livramento de Nossa Senhora. O sepultamento está previsto para as
16h, no Cemitério Jardim da Saudade, no bairro Taquari.
Com sua partida, o Brasil se despede de uma voz que marcou gerações e eternizou o sentimento popular em canções que continuam a ecoar nos corações de seus fãs.

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