A política de Jucuruçu vive um momento que
exige mais do que leitura apressada dos fatos. Exige atenção aos movimentos, às
ausências e, sobretudo, às escolhas feitas dentro do poder. Desde o resultado
das eleições de 2024, um padrão se consolidou de forma progressiva e
inequívoca: o escanteamento sistemático de aliados eleitos na própria chapa do
prefeito.
O pós-eleição de 2024: vitória sem coesão
Encerrado o
processo eleitoral de 2024, três vereadores eleitos na chapa do prefeito
Arivaldo — Cida Vieira, Tim do Hospital e Fredi do Hospital — passaram a ocupar
um lugar politicamente desconfortável: o da formalidade sem influência.
Não houve
ruptura pública. Não houve comunicado oficial. O que houve foi algo mais sutil
e, politicamente, mais grave: a perda completa de interlocução efetiva com o
Executivo.
Desde o início
da legislatura, tornou-se visível que esses parlamentares deixaram de
participar do núcleo de decisões do governo. A vitória nas urnas não se
traduziu em espaço político, tampouco em capacidade de articulação junto ao
Executivo.
2025: quando as indicações passaram a ser
ignoradas
Ao longo de
2025, o processo se aprofundou. Indicações apresentadas pelos três vereadores —
mecanismo legítimo e tradicional da relação entre Legislativo e Executivo em
qualquer município — simplesmente não avançaram.
Projetos,
demandas locais e sugestões políticas vindas desses parlamentares passaram a
não produzir qualquer consequência administrativa concreta. Na prática, seus
mandatos foram neutralizados, mesmo mantendo respaldo eleitoral.
Isso não é
detalhe. Em cidades pequenas, onde a política se constrói no contato direto com
a população, ignorar sistematicamente as indicações de um vereador equivale a
esvaziar seu mandato.
O favoritismo explícito
Enquanto três
vereadores eleitos na chapa do prefeito eram gradualmente afastados do centro
de decisões, um dado chamou ainda mais atenção: a escuta exclusiva e recorrente
do prefeito a apenas uma vereadora de sua base, a única que permaneceu
plenamente alinhada e integrada ao Executivo.
O contraste é
incontornável. A gestão passou a operar sob uma lógica de preferência pessoal,
não de colegialidade política. Em vez de respeitar a pluralidade mínima de sua
própria base, o prefeito optou por centralizar a interlocução em um único nome,
transformando aliados eleitos em figuras decorativas.
Trata-se de uma
prática incompatível com qualquer noção madura de liderança democrática.
Desprezar
aliados não é estratégia, é falha de caráter político.
Na política,
alianças não se mantêm apenas na vitória. Elas se consolidam no exercício do
poder. Desprezar aliados eleitos, silenciá-los institucionalmente e negar-lhes
espaço de atuação não é apenas um erro estratégico — é uma demonstração de
desprezo político.
Governar com
favoritismo é governar com miopia. Mais do que isso: é governar com ingratidão,
rompendo o pacto mínimo entre liderança e base que sustenta qualquer projeto
político duradouro.
A história
recente de Jucuruçu mostra que esse comportamento não é episódico. É um modus
operandi.
Um padrão que se repete
O afastamento
de aliados após cumprirem seu papel eleitoral já ocorreu em outros momentos da
trajetória política do prefeito. O que se vê agora é a repetição do método,
aplicada novamente a quem ajudou a construir a vitória.
Na política,
padrões reiterados deixam de ser coincidência e passam a ser identidade.
O efeito colateral: erosão da própria base
Ao optar por
governar ouvindo poucos e ignorando muitos, o prefeito não fragiliza apenas
seus aliados — fragiliza o próprio governo. Mandatos esvaziados produzem bases
ressentidas, articulações enfraquecidas e um ambiente político instável.
A médio prazo,
o custo desse isolamento tende a se refletir no cenário eleitoral seguinte.
O tabuleiro segue em movimento
Enquanto o
discurso oficial insiste em afirmar que “não é hora de falar de 2028”, as ações
da gestão revelam que o futuro já está sendo moldado — por exclusão, não por
construção.
Em Jucuruçu, a
política não para. E quando um governo escolhe governar desprezando aliados,
ele não apenas redefine o presente: abre espaço para novas forças ocuparem o
futuro.
O discurso, o
silêncio e o tabuleiro: a política de Jucuruçu em movimento
A política de
Jucuruçu nunca foi feita apenas de eleições. Sempre foi, antes de tudo, feita
de gestos, sinais e silêncios. E é justamente nesse campo — menos visível, mas
decisivo — que se desenha o atual momento político do município.
Publicamente, o
prefeito Arivaldo repete que o foco da gestão é o presente. Que “não é hora de
falar de sucessão”. Que 2028 ainda está distante. O discurso é de normalidade
administrativa. Mas a prática revela outra coisa: o futuro está sendo
organizado agora — não por meio de anúncios, mas por meio de exclusões
graduais.
O método: esgotar sem expulsar
Ao longo dos
últimos anos, consolidou-se um padrão reconhecível na política local. Não há
rompimentos públicos, notas oficiais ou comunicados diretos de afastamento. O
método é mais sofisticado — e mais eficaz.
Aliados deixam
de ser ouvidos.
Pedidos não avançam.
Portas deixam de se abrir.
Decisões não chegam.
Formalmente,
ninguém é declarado indesejado. Na prática, o recado é compreendido. Trata-se
de um esvaziamento progressivo, um desgaste silencioso que força a saída sem
jamais assumir o custo político do rompimento.
Esse
comportamento não é novidade na história recente de Jucuruçu.
Um padrão antigo
No primeiro
mandato, nomes relevantes do próprio grupo que ajudou a eleger o prefeito
acabaram afastados do núcleo de poder. Figuras como Binha do Táxi, Nande
Jardim, Leidian Jardim, Homo de Monte Azul e Gilson Koiô deixaram de ocupar
espaço político efetivo. Em comum, todos passaram pelo mesmo processo:
isolamento antes da ruptura.
Na política,
padrões não se repetem por acaso. Eles indicam método.
O episódio mais
recente — e talvez mais emblemático — envolve vereadores eleitos na própria
chapa do prefeito. Cida Vieira, Tim do Hospital e Fredi do Hospital não foram
oficialmente descartados. Nenhuma declaração pública do prefeito os apontou
como problema. Ainda assim, o afastamento político foi evidente.
Quando três dos
quatro vereadores eleitos com o prefeito passam a atuar fora do seu raio de
influência, não se trata de ruído pontual. Trata-se de reconfiguração de poder.
De acordar para algo que não está certo.
Sempre que um
aliado se afasta, o roteiro se repete. O prefeito assume o papel de vítima: “me
abandonaram”. Mas a pergunta que ecoa nos bastidores é outra: quem foi
empurrado para fora?
A vitimização
funciona como estratégia narrativa. Desloca a responsabilidade do gestor para
quem saiu, ao mesmo tempo em que preserva a imagem pública do comando. É um
jogo conhecido — e eficiente — em cidades pequenas, onde a memória política é
curta e o discurso ainda pesa mais que os fatos.
Enquanto isso, do outro lado do tabuleiro
Enquanto
aliados do prefeito se desgastam internamente, Uberlândia, ex-cônjuge de
Arivaldo e derrotada na eleição de 2024, observa o cenário com calma. Fora do
embate direto, sem ataques públicos, mantém-se politicamente visível.
O silêncio,
nesse caso, não é ausência. É estratégia.
Na política,
nem sempre vence quem grita mais. Muitas vezes, vence quem espera melhor.
A cidade e o desejo das ruas
Há um
sentimento difuso, mas crescente, entre eleitores de Jucuruçu: o cansaço da
polarização. A cidade tem sido, por décadas, refém de disputas entre grupos
familiares, projetos personalistas e revezamentos de poder que pouco renovam.
O que emerge
das ruas é o desejo por uma terceira via real:
·
alguém de
Jucuruçu;
·
que não tenha
governado antes;
·
que não seja
fantoche de grupos tradicionais;
·
que não trate
aliados como descartáveis;
·
que encerre a
política de perseguição;
·
que una carisma,
competência e novas ideias.
Esse desejo não
tem, ainda, um nome definitivo. Mas tem espaço político.
O jogo não para
Ouça a narrativa!
O tabuleiro
está em movimento. Mesmo que o discurso oficial tente congelar o debate, as
ações contam outra história. Na política, palavras podem esperar. Gestos, não.
Com os olhos
voltados para 2028, Jucuruçu vive um momento de inflexão. Ou rompe com o ciclo
de controle silencioso, esvaziamentos estratégicos e vitimizações recorrentes —
ou seguirá prisioneira de um modelo onde o poder muda de mãos, mas não de lógica.
A pergunta que
fica não é apenas quem será o próximo nome.
É se a cidade
terá coragem de mudar o jogo.
Autor desconhecido mais super focado na verdadeira história de Jucuruçu.

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