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quarta-feira, 15 de abril de 2026

Justiça Federal proíbe abate de jumentos na Bahia e aponta irregularidades na atividade

 

Uma decisão da Justiça Federal determinou a suspensão do abate de jumentos na Bahia. A medida, assinada pela juíza Arali Maciel Duarte na última segunda-feira, 13 de abril, tem como base indícios de maus-tratos aos animais, problemas sanitários nos estabelecimentos de abate e o risco de desaparecimento da espécie. 

O tema vinha sendo debatido desde a década de 2010, quando entidades ligadas à proteção animal passaram a denunciar irregularidades na atividade no estado. Apesar de o procedimento ter sido regulamentado pela Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab) nos anos de 2016 e 2020, a decisão judicial aponta que as normas vigentes não estavam sendo plenamente cumpridas. 

Além de interromper o abate, a sentença também estabelece que os animais sejam encaminhados para santuários destinados à sua proteção.

As organizações responsáveis pela ação civil pública celebraram a decisão. Em contato com o portal g1 nesta terça-feira (14), representantes classificaram a medida como um avanço significativo na defesa dos jumentos no país. 

Por outro lado, o frigorífico FriNordeste, apontado como o único do estado voltado exclusivamente ao abate desses animais, informou por meio de nota que ainda não foi oficialmente notificado. O representante da empresa, Alex Bastos, afirmou que a unidade opera amparada por uma liminar que, segundo ele, assegura a legalidade da atividade até o esgotamento de todos os recursos judiciais. 

A reportagem também procurou a Adab, mas não houve manifestação até a última atualização. 

Dados do setor 

Informações do Ministério da Agricultura indicam que, entre 2021 e abril de 2026, mais de 173 mil jumentos foram abatidos na Bahia. O município de Amargosa, no Recôncavo Baiano, concentra a maior parte das exportações. 

Grande parte da produção é destinada à China, que importa o couro dos animais para a fabricação do ejiao, substância utilizada na medicina tradicional chinesa e associada a benefícios como aumento de vitalidade e rejuvenescimento. 

Entre 2018 e setembro de 2025, o Brasil exportou mais de uma tonelada do produto para o país asiático, movimentando cerca de US$ 5,5 milhões — o equivalente a aproximadamente R$ 27,5 milhões./Sulbahianews

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