Teixeira de Freitas: No início da noite desta terça-feira, 27 de outubro, pais de um adolescente de 13 anos procuraram a sede da Delegacia Territorial de Teixeira de Freitas em estado de choque. Eles comunicaram e registraram o abuso sexual do qual o filho foi vítima. O pior: o caso aconteceu dentro de uma sala de aula da Casa da Cultura de Teixeira de Freitas.
A denúncia
Segundo a denúncia, o adolescente participava de aulas dos cursos de informática, libras e, posteriormente, de inglês na Casa da Cultura, localizada na Avenida Gonçalves Ledo, no bairro Bela Vista.
As aulas de libras eram ministradas pelo professor Bruno, das 15h às 16h. A denúncia relata que, ao término da referida aula, o professor solicitou que a vítima permanecesse no local. O aluno se recusou, mas o professor insistiu para que ele ficasse e trancou a porta com a vítima na sala por cerca de 20 minutos, impedindo a saída.
O professor então tirou a roupa do adolescente e praticou atos libidinosos. Ele exigiu que o adolescente mantivesse o fato em segredo. Em pânico, o adolescente conseguiu abrir a porta, correu e fugiu da sala onde o professor Bruno o mantinha preso.
O relato à família
O adolescente, em estado de choque, conseguiu chegar até sua residência, onde apresentou, segundo a denúncia, mal-estar físico, abalo psicológico e relatou o ocorrido para sua mãe.
Ainda abalado, ele disse que o professor teria tentado limpar o seu órgão genital (pênis) após os atos, usando um pedaço de papel higiênico.
A prisão em flagrante
Os pais imediatamente foram até a Delegacia, onde o caso foi registrado e apresentado ao delegado plantonista Willian Pereira. O delegado, que pertence ao Núcleo de Homicídio e Tráfico da 8ª Coorpin, mobilizou uma equipe e, diante das informações apresentadas, saiu em diligência até a Casa da Cultura Municipal.
No local, o delegado e sua equipe localizaram o suspeito e deram voz de prisão. Trata-se de Bruno da Rocha Nascimento, de 40 anos, conhecido como Professor Bruno Rocha.
Ele foi preso e conduzido para a sede da Delegacia Territorial, onde o delegado ouviu a vítima juntamente com os pais e encaminhou o adolescente para exames periciais no Departamento de Polícia Técnica (DPT), já que ele ainda usava as roupas que vestia no momento do fato.
O depoimento do professor
O delegado, com auxílio de ferramentas adequadas, colheu o depoimento de Bruno, que é uma pessoa que não utiliza a fala e tem deficiência auditiva.
Bruno foi encaminhado para exames periciais e, logo após, confessou ao delegado que ocorreu o abuso. Na versão do professor, o fato teria ocorrido com consentimento.
No entanto, por ser menor de 14 anos, o artigo 217-A classifica os atos do professor como estupro de vulnerável — que é ter conjunção carnal ou praticar ato libidinoso com menor de 14 anos —, crime hediondo.
Após os procedimentos legais, o delegado flagranteou Bruno da Rocha Nascimento por estupro de vulnerável. Ele foi encaminhado à carceragem da Delegacia Territorial de Teixeira de Freitas, onde segue preso e à disposição da Justiça. Ele deverá passar por audiência de custódia na próxima quarta-feira, 28.
Testemunha
Nossa equipe ouviu uma testemunha, que relatou que o professor Bruno costumava olhar para o adolescente de maneira diferente. A testemunha disse que estava incrédula com o fato e que o caso pode gerar novas denúncias.
Acompanhamento da reportagem
Nossa equipe acompanhou a chegada do acusado na delegacia e, devido à sua condição de não utilizar a fala, não tentamos gravar entrevista. Mas, ao se apresentar como profissional de imprensa, ele balançou a cabeça negativamente sobre uma tentativa de entender a sua versão.
Nossa equipe se coloca à disposição da Casa da Cultura ou da defesa de Bruno para possíveis versões e esclarecimentos.
As informações da vítima e de
sua família devem e serão mantidas em sigilo. O adolescente deverá ser assistido,
acolhido e acompanhado por familiares e profissionais, já que o episódio pode
gerar traumas para toda a vida do jovem que buscava conhecimento, aprendizado,
e teve sua inocência interrompida por um ato monstruoso dentro de um ambiente
que deveria ser de cultura e aprendizado./LiberdadeNews

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