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domingo, 4 de outubro de 2026

Professores de Guaratinga protestam por rateio do precatório do Fundef e melhorias na educação; recursos estão na conta há seis meses sem pagamento

 


Nesta sexta-feira, 2 de outubro, docentes e demais trabalhadores da educação de Guaratinga participarão de uma mobilização convocada pela APLB Sindicato – Núcleo Graça Branca. A categoria fará uma paralisação seguida de caminhada, com concentração diante da Prefeitura Municipal, para exigir posicionamento sobre o rateio dos recursos do precatório do Fundef e cobrar avanços na educação do município.

Conforme a APLB, os valores já estariam depositados na conta da prefeitura há aproximadamente seis meses, porém não foram repassados aos profissionais com direito ao rateio.

A categoria quer saber quem são os beneficiários, quais critérios serão adotados para a divisão, qual o calendário de pagamento e qual será o destino dos juros e da correção monetária.

Entidade cobra definição sobre o precatório

No Ofício Conjunto nº 83/2026, datado de 13 de agosto, o sindicato apresentou seu entendimento sobre a vinculação constitucional dos recursos do precatório do Fundef à manutenção e ao desenvolvimento do ensino e à valorização do magistério.

Já em 27 de agosto, pelo Ofício nº 022/2026, a entidade se posicionou sobre a proposta de acordo referente ao rateio dos juros moratórios e da correção monetária do precatório judicial do Fundef, processo nº 0005040-49.2006.4.01.3310.

Segundo o sindicato, após assembleia com os profissionais representados e análise jurídica, a categoria defendeu, em um primeiro momento, que os juros moratórios e a correção monetária fossem integralmente destinados aos professores com direito aos valores.

A APLB afirma, no entanto, que continua disponível para dialogar com a administração municipal e avaliar eventual contraproposta.

Em 14 de setembro de 2026, o sindicato protocolou o Ofício nº 025/2026, endereçado ao prefeito, ao secretário municipal de Educação, Orlandy Pereira da Silva, e ao procurador-geral do município, Leonardo Oliveira Vargens.

No documento, a APLB reforçou as cobranças anteriores e solicitou agilidade na publicação da Comissão de Acompanhamento e Análise dos beneficiários do precatório do Fundef (1998–2006).

A entidade também reafirmou a reivindicação de 100% dos juros moratórios e da correção monetária em favor dos profissionais da educação que, segundo o sindicato, têm direito aos valores.

Para a APLB, a demora na constituição e publicação da comissão responsável pela análise da documentação dos profissionais tem travado o andamento do processo.

Quase seis meses de espera pelo rateio

De acordo com a APLB, o município já recebeu a primeira parcela do precatório, estimada em R$ 26,3 milhões.

A entidade afirma que, após os descontos, cerca de R$ 21 milhões seriam destinados à manutenção e ao desenvolvimento do ensino.

Ainda conforme o sindicato, parte da diferença entre os valores teria sido bloqueada pela advogada responsável pela causa, situação que a entidade também aponta como um dos pontos a serem esclarecidos.

A principal queixa da categoria é que, mesmo com os recursos disponíveis no município há quase seis meses, o rateio ainda não teria sido realizado.

A APLB cobra transparência sobre os valores disponíveis, os critérios para identificar os beneficiários e um cronograma de pagamento.

Câmara aprovou regulamentação dos recursos

A discussão ocorre após a Câmara Municipal de Guaratinga aprovar projeto que regulamenta o uso dos recursos do precatório.

Conforme divulgado anteriormente, o texto aprovado definiu que 60% do valor principal sejam destinados aos profissionais do magistério que cumpram os requisitos legais, e 40% para ações de manutenção e desenvolvimento do ensino.

Um dos principais pontos de divergência entre a categoria e a administração, segundo a APLB, é justamente o destino dos juros de mora e da correção monetária.

A entidade afirma que a Prefeitura pretende fazer o rateio considerando apenas os valores do principal, enquanto o sindicato defende que os juros e a correção também sejam repassados aos profissionais com direito.

Sindicato também cobra melhorias nas escolas

A mobilização desta sexta-feira (02/10) não se restringe à questão financeira.

Na nota de repúdio divulgada pela APLB – Núcleo Graça Branca, o sindicato também chama atenção para problemas que, segundo a entidade, persistem na rede municipal de ensino.

Entre as reclamações estão escolas funcionando em prédios emprestados, problemas de infraestrutura e falta de equipamentos e materiais.

A entidade também menciona os resultados do IDEB 2025, com índices de 4,5 nos anos iniciais e 3,9 nos anos finais.

Para a APLB, as condições apresentadas na manifestação reforçam a necessidade de investimentos na educação municipal.

“Rateio já”: professores vão às ruas nesta sexta-feira

Com os lemas “Rateio já!”, “Investimentos já!”, “Transparência já!” e “Valorização já!”, a APLB convocou os profissionais da educação e apoiadores da causa para participar da mobilização desta sexta-feira.

A programação inclui paralisação e caminhada, com parada em frente à Prefeitura de Guaratinga, onde os manifestantes deverão reforçar as cobranças dirigidas à administração municipal.

Entre as principais reivindicações estão a definição do rateio do precatório, esclarecimentos sobre juros e correção monetária, transparência sobre os recursos, valorização dos profissionais e melhorias nas condições das escolas.

Prefeitura poderá apresentar esclarecimentos

A reportagem mantém aberto o espaço para a Prefeitura de Guaratinga apresentar sua versão sobre as reivindicações da APLB, especialmente em relação aos valores recebidos, à situação da comissão de acompanhamento, ao cronograma para definição dos beneficiários, ao rateio do precatório e à destinação dos juros e da correção monetária.

Também poderá esclarecer as reclamações do sindicato sobre a infraestrutura das escolas e os investimentos atualmente realizados na rede municipal de ensino.

A mobilização desta sexta-feira deverá levar professores e trabalhadores da educação às ruas de Guaratinga para cobrar respostas da administração municipal sobre o precatório e as condições da educação pública.

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