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segunda-feira, 6 de abril de 2026

12 anos após assassinato do prefeito Rielson Lima, acusados vão a júri popular nesta segunda-feira

Após quase 12 anos de espera, o desfecho do assassinato de Rielson Lima, ex-prefeito de Itagimirim, começa a ser decidido nesta segunda-feira (6), no Fórum de Eunápolis. 

No banco dos réus estão o ex-prefeito Rogério Andrade, 53, acusado de ser o mandante do crime, e Jamilton Neves Lopes, de 46, apontado como o executor. Um terceiro envolvido, Sandro Andrade Oliveira (irmão de Rogério), segue foragido. 

HISTÓRICO DO CASO 

Rielson Lima foi morto a tiros em 29 de julho de 2014, aos 51 anos, em uma praça no centro de Itagimirim. Segundo a investigação, ele foi atingido por quatro disparos. 

Na época, Rogério Andrade ocupava o cargo de vice-prefeito e assumiu a prefeitura após o crime, permanecendo no posto por cerca de dois anos. Em 2016, ele disputou a reeleição, mas não obteve a vitória nas urnas. 

MOTIVAÇÃO E INVESTIGAÇÃO 

De acordo com o delegado responsável pelo inquérito, Moisés Damasceno, as provas reunidas apontaram Rogério como o mandante, motivado por questões ligadas à sucessão no comando do município. O Ministério Público da Bahia reforça que houve um rompimento político devido a divergências sobre dívidas da campanha de 2012. Conforme a denúncia, Rielson teria se recusado a utilizar recursos públicos para quitar tais cobranças. 

O promotor Helber Luiz Batista sustenta ainda que houve uma reaproximação simulada entre os envolvidos antes do crime. A acusação afirma que Rogério e o irmão contrataram Jamilton Neves Lopes para executar o prefeito. 

PRISÃO E ‘QUEIMA DE ARQUIVO’

Rogério Andrade: Foi preso em outubro de 2020 por decisão da Justiça de Eunápolis. A defesa tentou revogar a prisão preventiva em diversas instâncias, mas os pedidos foram negados. Em 2022, o ministro Nunes Marques manteve a decisão anterior do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A defesa é realizada por advogados de Minas Gerais.

Jamilton Neves Lopes: Foi preso em Brasília. Segundo a polícia, ele participou diretamente da execução e deixou a Bahia alegando medo após a morte do irmão, Alessandro Lopes (“Sandro Seco”), de 36 anos. O caso de Alessandro é tratado pela polícia como possível queima de arquivo

O QUE DIZ A DEFESA DE ROGÉRIO ANDRADE 

A defesa de Rogério Andrade sustenta que ele é “absolutamente inocente” e afirma que não existem provas nos autos que comprovem participação ou ordem para a prática do crime. Em nota enviada ao Radar News, os advogados rebatem a tese do Ministério Público e da Polícia Civil de que o crime teria sido motivado por dívidas de campanha.  Segundo a nota, todas as obrigações eleitorais de 2012 foram devidamente quitadas e comprovadas documentalmente no processo. 

A defesa alega ainda que três autoridades policiais diferentes conduziram o caso sem identificar indícios para o indiciamento na fase de inquérito. 

Ainda segundo os advogados, Rogério não teria ligação com supostos credores citados na investigação. A nota afirma que esses terceiros seriam apontados em apurações como responsáveis por ameaças e tentativas de extorsão contra o prefeito. 

Quanto a Jamilton Neves Lopes, apontado pela acusação como o executor dos disparos, informações ainda não confirmadas indicam que ele será defendido pela Defensoria Pública. Até o fechamento desta matéria, a reportagem não conseguiu contato com os responsáveis pela sua defesa para que apresentassem sua versão sobre os fatos narrados na denúncia./radar

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