O delegado Evy Paternostro, diretor da Diretoria Regional de
Polícia do Interior (Dirpin Sul), detalhou ao Radar News os desdobramentos da
Operação Vento Norte, deflagrada na manhã desta quarta-feira, que resultou no
cumprimento de sete mandados de prisão temporária, com duração de 30 dias, além
de oito mandados de busca e apreensão. Entre os alvos está o presidente da
Câmara de Guaratinga, Paulo Chiclete (PSD). A Justiça também determinou o
bloqueio de contas e ativos financeiros ligados ao grupo investigado.
Logo no início da ação, equipes da Polícia Civil e do Gaeco, o grupo do Ministério Público especializado no combate ao crime organizado, realizaram buscas na sede do Legislativo de Guaratinga e na residência do vereador, além de imóveis em Eunápolis, nos bairros Pequi, Juca Rosa e Sapucaieira, e em Guaratinga, nos bairros Centro e Novo Horizonte e em Itagimirim. Parte dos mandados também foi cumprida dentro do sistema prisional, em diferentes estados.
Segundo o delegado Evy Paternostro, a investigação teve início há cerca de um ano, a partir da Delegacia Territorial de Belmonte, quando foram identificadas pessoas que atuavam como braço financeiro da organização criminosa, dando suporte às atividades do grupo na região.
Ainda de acordo com o diretor da Dirpin Sul, entre os investigados há um agente político com ligação direta com a estrutura do grupo. Conforme o delegado, o vereador de Guaratinga mantinha uma relação próxima com a organização voltada ao tráfico de drogas e, durante as buscas, foi encontrada uma pistola calibre .380 na residência dele, o que resultou na autuação por posse ilegal de arma de fogo.
As investigações apontam que o grupo possui atuação interestadual, com divisão de funções e uso de mecanismos financeiros para ocultação de valores. Segundo o delegado, a operação também teve como foco interromper a circulação de recursos ilícitos, com a determinação judicial de bloqueio de 26 contas bancárias, até o limite de R$ 3,8 milhões, valores apontados como vinculados às atividades criminosas.
Conforme Evy Paternostro, os investigados não atuavam apenas na ponta do tráfico, mas também na estrutura financeira do esquema, contribuindo para a movimentação de dinheiro, utilização de contas e registros em nome de terceiros. Ainda de acordo com o delegado, o trabalho integrado com o Ministério Público permitiu identificar participantes da articulação criminosa que já estavam presos em outros estados.
Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos uma pistola, aparelhos celulares e documentos que devem contribuir para o aprofundamento das investigações. A polícia também identificou movimentações financeiras expressivas, inclusive superiores a R$ 20 milhões em uma das plataformas analisadas.
Segundo o delegado, a operação representa uma etapa de um
trabalho investigativo mais amplo. Ele afirmou que a apuração já dura um ano e
que o material apreendido será analisado para subsidiar novas fases da
operação, que deve ter continuidade./Radar News
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