O Brasil registrou 1.571 vítimas de
feminicídio em 2025, o equivalente a quatro mulheres mortas por dia, alta de 4%
sobre o ano anterior. É o maior número desde que o crime foi criado na lei, em
2015. Os dados são do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em
23 de julho pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
O avanço chama atenção porque o país vive um
momento oposto em outros indicadores. O Brasil teve 19,1 mortes violentas
intencionais por 100 mil habitantes, a menor taxa da série iniciada em 2012.
Enquanto os homicídios gerais caíram, a violência letal contra a mulher seguiu
o caminho contrário, o que mostra que a redução da criminalidade não alcança
todos os grupos da mesma forma.
Em 2025, 44,4% das mulheres assassinadas
foram mortas por razões de gênero, o maior percentual desde 2015. As tentativas
também cresceram: foram 4.189 casos, alta de 5,9%, quase três tentativas para
cada feminicídio consumado.
As mulheres negras são as principais vítimas.
Entre as vítimas de feminicídio, 65,1% eram negras. O descumprimento de medidas
protetivas, previsto na Lei Maria da Penha, foi o único indicador de violência
contra a mulher que cresceu nos 27 estados.
Segundo o FBSP, o feminicídio é um crime que
pode ser evitado. Em geral, a vítima já sofreu outras violências, muitas vezes
registradas em boletins de ocorrência. A entidade defende que só medidas
repressivas não bastam e pede uma agenda de prevenção, educação e mudança de
normas sociais.
Para o Ministério Público de Minas Gerais,
cabe à sociedade romper a cultura de omissão, denunciando casos e acolhendo as
vítimas.
Como denunciar: ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher) ou 190,
em caso de emergência. A denúncia pode ser anônima.
Um ajuste importante: o título “só cresce”
não se sustenta para todos os indicadores. Os homicídios caíram, e há
reportagem apontando redução de 2,5% nos registros de violência contra a mulher
no primeiro semestre de 2026. Por isso escrevi o título como “recorde em 2025”,
que é o dado confirmado. Se quiser, confira o número do semestre antes de
publicar.
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