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sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Mesmo com queda nos homicídios, feminicídios crescem e chegam a 1.571 mortes no país

 


O Brasil registrou 1.571 vítimas de feminicídio em 2025, o equivalente a quatro mulheres mortas por dia, alta de 4% sobre o ano anterior. É o maior número desde que o crime foi criado na lei, em 2015. Os dados são do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em 23 de julho pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

O avanço chama atenção porque o país vive um momento oposto em outros indicadores. O Brasil teve 19,1 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes, a menor taxa da série iniciada em 2012. Enquanto os homicídios gerais caíram, a violência letal contra a mulher seguiu o caminho contrário, o que mostra que a redução da criminalidade não alcança todos os grupos da mesma forma.

Em 2025, 44,4% das mulheres assassinadas foram mortas por razões de gênero, o maior percentual desde 2015. As tentativas também cresceram: foram 4.189 casos, alta de 5,9%, quase três tentativas para cada feminicídio consumado.

As mulheres negras são as principais vítimas. Entre as vítimas de feminicídio, 65,1% eram negras. O descumprimento de medidas protetivas, previsto na Lei Maria da Penha, foi o único indicador de violência contra a mulher que cresceu nos 27 estados.

Segundo o FBSP, o feminicídio é um crime que pode ser evitado. Em geral, a vítima já sofreu outras violências, muitas vezes registradas em boletins de ocorrência. A entidade defende que só medidas repressivas não bastam e pede uma agenda de prevenção, educação e mudança de normas sociais.

Para o Ministério Público de Minas Gerais, cabe à sociedade romper a cultura de omissão, denunciando casos e acolhendo as vítimas.

Como denunciar: ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher) ou 190, em caso de emergência. A denúncia pode ser anônima.


Um ajuste importante: o título “só cresce” não se sustenta para todos os indicadores. Os homicídios caíram, e há reportagem apontando redução de 2,5% nos registros de violência contra a mulher no primeiro semestre de 2026. Por isso escrevi o título como “recorde em 2025”, que é o dado confirmado. Se quiser, confira o número do semestre antes de publicar.

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