Uma discussão motivada
pela poda de uma mangueira terminou com dois homens mortos na zona rural de São
Domingos das Dores, em Minas Gerais. O caso ocorreu na região do Córrego do
Belém e está sendo investigado pela Polícia Civil.
Segundo informações
divulgadas pela Polícia Militar, o conflito começou durante uma discussão
relacionada à poda de uma árvore localizada próxima à divisa entre duas
propriedades rurais.
Eberton Silvestre
Guimarães Barros, de 41 anos, havia ido ao local acompanhado do filho, de 19
anos, para realizar a poda. Durante o desentendimento com o vizinho, Miguel
Chagas da Silva, de 75 anos, teria ocorrido o primeiro disparo.
Conforme o registro
policial, Miguel teria sacado um revólver e atirado contra Eberton. O momento
da discussão e dos disparos teria sido registrado em vídeo pelo filho da
vítima.
Eberton foi socorrido com
vida e encaminhado para uma unidade hospitalar em Caratinga, mas não resistiu
aos ferimentos.
Filho reage e atira contra o idoso
Após o primeiro disparo,
segundo a versão apresentada à polícia, Miguel teria se aproximado do jovem
ainda portando a arma. Os dois entraram em luta corporal, e o rapaz conseguiu
tomar o revólver.
Ainda de acordo com o
depoimento prestado pelo jovem, Miguel teria continuado a agressão. Nesse
momento, o rapaz efetuou um disparo contra o idoso, que morreu no local.
Após a ocorrência,
policiais localizaram o filho de Eberton. Segundo a Polícia Militar, ele se
apresentou espontaneamente, não ofereceu resistência e entregou a arma
utilizada no confronto. O jovem foi ouvido pela Polícia Civil e liberado.
Defesa sustenta legítima defesa
Em nota divulgada à
imprensa, o advogado Cairo Gianini afirmou que a defesa considera que o jovem
agiu em legítima defesa ao reagir à agressão contra o pai e ao risco que,
segundo a versão apresentada, também passou a enfrentar.
De acordo com o defensor,
vídeos, depoimentos de testemunhas e o interrogatório do jovem seriam
compatíveis com a tese apresentada desde o início da investigação.
Questionado sobre a possibilidade
de a Polícia Civil concluir o inquérito e indiciar o rapaz por homicídio, o
advogado afirmou acreditar que isso não deverá ocorrer.
A defesa declarou ter
convicção de que o inquérito será arquivado diante dos elementos que, segundo o
escritório, comprovariam a legítima defesa. A manifestação, entretanto,
representa a posição da defesa e não antecipa a conclusão da investigação
policial ou de eventual processo judicial.
Defesa pede cautela
O escritório informou que
não divulgará nomes ou outras informações que possam ampliar a exposição das
famílias envolvidas. Para a defesa, o episódio representa uma tragédia que
atingiu duas famílias.
O advogado também
descreveu o jovem como um rapaz religioso e profundamente abalado pelas mortes.
Segundo a defesa, a tese de legítima defesa não foi construída posteriormente,
mas apresentada desde o início.
A defesa destacou ainda a
atuação dos policiais militares que atenderam a ocorrência e pediu cautela na
análise do caso, ressaltando que a comoção provocada pelas duas mortes não deve
substituir a avaliação das provas.
Investigação continua
A Polícia Civil instaurou
um inquérito na Delegacia de Inhapim para esclarecer a dinâmica do confronto e
as circunstâncias das duas mortes.
A perícia esteve na
propriedade, enquanto os corpos foram encaminhados ao Instituto Médico-Legal
(IML) de Caratinga.
A investigação deverá
analisar vídeos feitos no local, depoimentos de testemunhas, exames periciais e
demais elementos capazes de esclarecer a sequência dos disparos.
A conclusão do inquérito
deverá indicar se os elementos reunidos são compatíveis com a tese de legítima
defesa apresentada pela defesa ou se haverá eventual responsabilização criminal
do jovem.
Até o momento, não há decisão judicial definitiva sobre a responsabilidade criminal do rapaz.
Nenhum comentário:
Postar um comentário