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quarta-feira, 24 de junho de 2026

O Abandono das Tradições: A Gestão do Prefeito Lili em Jucuruçu

 


Moradores denunciam o fim de festas centenárias e o descaso com o patrimônio cultural e ambiental do município

A cidade de Jucuruçu, no sul da Bahia, conhecida por suas ricas tradições culturais e pela hospitalidade de seu povo, vive um momento de grande apreensão. Em um curto período, a gestão do prefeito Arivaldo de Almeida Costa, popularmente conhecido como “Lili”, tem sido marcada por uma série de decisões que, segundo moradores e líderes comunitários, estão destruindo o legado cultural e ambiental do município. O que está em jogo não é apenas a administração pública, mas a própria identidade de um povo que vê, ano após ano, suas tradições mais queridas serem extintas.

O Fim de uma Era: A Festa Junina Cancelada

A mais recente e dolorosa perda para a comunidade foi o cancelamento da tradicional Festa Junina de Jucuruçu. Considerada por muitos como a maior e mais aguardada celebração do calendário municipal, a festa era um símbolo de união, alegria e fé para os jucuruçuenses. As famílias se preparavam com meses de antecedência para as quadrilhas, as comidas típicas e as noites de forró que movimentavam a cidade e atraíam visitantes de toda a região.

Com a decisão do prefeito Lili de não realizar o evento, uma página importante da história local foi virada. O silêncio que toma conta dos locais onde antes ecoavam as sanfoneiras e os passos das quadrilhas é o reflexo de uma gestão que, aos olhos da população, parece não compreender a importância da cultura popular para a coesão social e o desenvolvimento do município.

As Perdas que se Acumulam

A extinção da festa junina, no entanto, é apenas o capítulo mais recente de uma triste sequência de eventos. A comunidade já havia se mobilizado em revolta em maio deste ano, quando a prefeitura realizou o corte indiscriminado de árvores no Bairro Califórnia. A justificativa de “urbanização” não convenceu os moradores, que viram desaparecer árvores que faziam parte da paisagem e do cotidiano do bairro, fornecendo sombra e contribuindo para a qualidade de vida. Na época, a revolta foi grande, com moradores protestando e cobrando transparência da gestão municipal .

Antes disso, duas outras tradições já haviam sido “assassinadas” na visão da comunidade:

·                                 O Aniversário da Cidade: A data magna de Jucuruçu, celebrada em 24 de fevereiro, que marca a emancipação política do município, não teve o brilho e a festa de outrora. O evento, que tradicionalmente unia a população em celebração, foi esvaziado .

·                                 A Entrega dos Peixes da Semana Santa: Uma tradição de fé e solidariedade que marcava o período mais sagrado do calendário cristão e que, segundo relatos, também foi suprimida pela atual administração.

A Memória e a Identidade em Risco

A situação em Jucuruçu expõe um conflito preocupante entre a administração pública e a preservação da memória cultural e ambiental. A cidade, fundada por famílias que chegaram no início do século XX e emancipada em 1989, construiu sua identidade a partir dessas tradições e do respeito à sua história .

Ao cancelar eventos e suprimir o patrimônio natural, a gestão do prefeito Lili não apenas desagrada a população, mas também coloca em risco o que torna Jucuruçu única. A festa junina, por exemplo, não era apenas uma comemoração; era um motor econômico e social para a cidade. O corte das árvores, além do dano ambiental, que configura crime ambiental segundo a Lei nº 9.605/98, representou um ataque ao patrimônio paisagístico do município .

O que Esperar do Futuro?

Enquanto a população lamenta as perdas, o movimento de revolta que surgiu com o corte das árvores parece não ter sido suficiente para frear o que muitos chamam de "destruição das tradições". Líderes comunitários e moradores, que antes se mobilizaram contra as ações da prefeitura, agora se veem diante de um cenário de desolação cultural .

Restam perguntas que ecoam pelas ruas de Jucuruçu: Qual será a próxima tradição a ser sacrificada? E, mais importante, como reconstruir o que foi perdido quando não há diálogo e a memória cultural não é valorizada?


A história de Jucuruçu, que já superou enchentes e dificuldades , agora enfrenta um desafio de outra natureza. A resistência da comunidade em preservar sua identidade será o único contraponto a uma gestão que, segundo os relatos, parece determinada a apagar o passado e as tradições de um povo.

Um comentário:

Rua principal de Jucuruçu - Bahia, 3 de março de 2024.

Jucuruçu - Bahia. Pedaço bom do Brasil.