O tabuleiro político da Bahia já começa a se movimentar para as próximas eleições estaduais, e o clima é de tensão nos bastidores. Após 24 anos consecutivos à frente do Executivo baiano, o Partido dos Trabalhadores (PT) enfrenta um cenário de incertezas e articulações intensas para tentar manter a hegemonia.
De acordo com relatos de fontes próximas ao partido, o governador Jerônimo Rodrigues não teria correspondido integralmente às expectativas de setores importantes da legenda, tanto em Brasília quanto no estado. Essa insatisfação silenciosa tem provocado fissuras internas e levantado dúvidas sobre a coesão da campanha pela reeleição.
O mapa de forças políticas no interior revela pontos de atenção para a legenda. Cidades estratégicas como Ilhéus, Itabuna, Vitória da Conquista, Lauro de Freitas, Brumado, Eunápolis, Teixeira de Freitas e Porto Seguro registram um esvaziamento da influência petista. Enquanto isso, a oposição aproveita o momento para ampliar seu diálogo com o eleitorado nessas regiões, deixando a base de sustentação do PT mais restrita ao norte do estado.
Outro ponto que promete movimentar o debate eleitoral são os empréstimos realizados pela gestão atual. A oposição calcula que os valores autorizados ultrapassam a casa dos R$ 20 bilhões e promete levar à população a discussão sobre os impactos fiscais dessa medida. Em contrapartida, aliados do governo defendem que os recursos foram fundamentais para alavancar projetos em áreas prioritárias, como saúde, educação e infraestrutura.
Nos corredores políticos, também circulam comentários sobre entraves na entrega de obras, gargalos administrativos e um possível afastamento entre Jerônimo e figuras históricas do partido, como o ex-governador Rui Costa e o senador Jaques Wagner — ambos com grande peso nas decisões estratégicas da sigla.
Enquanto o governo busca reorganizar sua base, a oposição começa a desenhar sua estratégia em torno de um nome forte: ACM Neto. Ex-prefeito de Salvador por dois mandatos e neto do icônico Antônio Carlos Magalhães, Neto surge como a principal aposta para restaurar o chamado “carlismo” no comando do estado. Aliados apostam em sua trajetória administrativa na capital como trunfo para conquistar o eleitorado descontente.
Com as peças sendo reposicionadas e o tom dos discursos se tornando mais incisivo, a sucessão estadual promete ser uma das mais disputadas das últimas décadas. O desfecho desse processo pode representar não apenas uma mudança de governo, mas o encerramento de um ciclo de 24 anos de domínio petista na Bahia.

Nenhum comentário:
Postar um comentário